Gestão Municipal de Turismo – Parte II
Uma cidade a ser desejada e não a ser evitada
Censo dos Recursos Turísticos do Município
O Censo dos Recursos Turísticos do Município é a base essencial para o planejamento turístico, constituindo-se como requisito indispensável para a elaboração do Plano Municipal de Turismo.
Afinal, como estruturar estratégias sem conhecer o que existe para oferecer, quem oferece e de que forma é oferecido? Esse censo consiste no levantamento detalhado da oferta turística municipal, englobando:
- Atrativos naturais;
- Itens histórico-culturais;
- Manifestações populares;
- Eventos técnico-científicos;
- Atividades econômicas;
- Equipamentos e serviços turísticos, como hospedagem, alimentação, lazer, agenciamento e entretenimento;
- Infraestrutura de apoio (transporte, segurança, saúde, comunicação e demais serviços básicos públicos).
Sua relevância está em permitir a seleção dos elementos com maior capacidade de gerar fluxos turísticos atuais ou potenciais. Também evidencia as singularidades de cada atrativo, transformando-as em produtos turísticos diferenciados.
A partir desse mapeamento, é possível realizar análises comparativas críticas, identificando vantagens competitivas e definindo o perfil de turismo a ser desenvolvido no município.
Ao relacionar a oferta (quantitativa e qualitativa) com as necessidades, aspirações e motivações da demanda, o censo orienta decisões estratégicas, facilita a definição de prioridades e garante melhor aplicação dos recursos disponíveis e melhores tomadas de decisões dos
governantes, administradores, gestores e empreendedores.
Para avaliação e hierarquização dos atrativos turísticos, a equipe de avaliação deverá ter como base os elementos de descrição da ficha do atrativo a ser avaliado e, realizar coleta de material visual (fotos) e conteúdos virtuais, principalmente das redes sociais, assim terá condições de atribuir valores e indicadores de competitividade ao atrativo.
Depois de todas estas etapas realizadas se chega ao processo de divulgação, que pode ocorrer através de:
• Mapeamento – Registro gráfico.
• Publicações Técnicas e Promocionais – Permitem orientar planejadores, empresários, investidores e
turistas (roteiros, pôsteres, folders, vídeos…). Podem ser impressas ou digitais.
• Publicações Informativas – Guias de hotéis, restaurantes, serviços, entre outras. Podem ser impressas
ou digitais.
• Sites e Aplicativos.
• Matéria para veículos de Comunicação – presenciais e online.
• Dossiês para Postos de Informações Turísticas ou Centrais de Atendimento ao Turista ou site.
Como Elaborar o Censo dos Recursos Turísticos do Município?
O Censo dos Recursos Turísticos do Município começa com pesquisas de gabinete: consultas bibliográficas em guias, manuais, jornais, revistas, além de levantamentos em institutos culturais, ambientais, técnicos e turísticos. Muitos municípios já possuem parte dessas informações organizadas em um Banco de Dados Municipal.
É essencial verificar essas fontes e contatar os responsáveis para avaliar sua aplicabilidade no setor turístico.
Só após essa etapa recomenda-se a pesquisa de campo, validando dados, registrando imagens e realizando entrevistas. Para padronização, podem ser utilizados os formulários do Ministério do Turismo, que orientam a classificação por categorias, tipos e subtipos.
Após o preenchimento, as informações devem ser selecionadas conforme sua relevância para o Plano Municipal de Turismo e estratégias de divulgação.
Um sistema digital pode facilitar a atualização em tempo real.
Com esses registros, é possível avaliar e hierarquizar os atrativos, determinando sua importância nos contextos municipal, regional e nacional. Essa análise deve considerar fatores como infraestrutura, acessibilidade, transporte e serviços turísticos.
A hierarquização organiza os atrativos conforme seu grau de relevância, auxiliando na criação de roteiros turísticos, identificação de pontos fortes, redução de fragilidades e definição do público-alvo.
Isso orienta decisões de gestores, empreendedores e governantes sobre promoção, investimentos e marketing.
Identificação da Demanda Turística
Demanda efetiva é formada por visitantes atuais;
Demanda potencial refere-se àqueles que planejam visitar.
Para conhecê-las, utilizam-se pesquisas em sites de viagens, questionários ou formulários adaptados à realidade local. Devem ser analisados aspectos como:
-
Quem viaja? (origem, idade, motivação, perfil sociocultural).
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Por que viajam? (motivações pessoais, familiares, organizacionais ou obrigatórias, como negócios e eventos).
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O que buscam? (experiências únicas, descanso, lazer, aprendizado, status, economia).
-
Quando viajam? (feriados prolongados, férias escolares, estações climáticas).
-
Quanto gastam? (análise custo-benefício em relação ao destino e concorrência).
Avaliação e Divulgação dos Resultados
A equipe deve se basear nas fichas descritivas dos atrativos, coletar material visual e utilizar redes sociais para atribuir valores de competitividade. Após as etapas de avaliação, os resultados podem ser divulgados por:
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Mapeamentos gráficos – que identificam áreas de concentração ou ausência de atrativos.
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Publicações técnicas e promocionais – impressas ou digitais, como roteiros, pôsteres, folders e vídeos.
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Guias informativos – de hotéis, restaurantes, serviços e atrações locais.
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Aplicativos turísticos – para consulta interativa e em tempo real.
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Reportagens e matérias – em veículos de comunicação presenciais e online.
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Dossiês turísticos – para uso em postos de informação e centrais de atendimento.
Assim, o Censo dos Recursos Turísticos do Município torna-se um instrumento estratégico, essencial para transformar atrativos em produtos turísticos competitivos e sustentáveis, fortalecendo a imagem do destino e atraindo novos investimentos.
Checklist Prático – Censo dos Recursos Turísticos
Esse checklist garante um processo estruturado, desde a pesquisa inicial até a divulgação, facilitando a organização e a tomada de decisões estratégicas no turismo municipal.
1. Etapa de Pesquisa Inicial
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Realizar pesquisas de gabinete (fontes bibliográficas, guias turísticos, jornais, revistas, manuais).
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Consultar instituições culturais, técnicas, científicas, ambientais e de fomento ao turismo.
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Verificar o Banco de Dados Municipal e contatar os responsáveis para uso das informações disponíveis.
2. Pesquisa de Campo
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Confirmar a veracidade das informações levantadas.
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Realizar entrevistas com atores locais.
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Fazer registro fotográfico dos atrativos.
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Usar formulários oficiais do Ministério do Turismo para registro e classificação (categorias, tipos e subtipos).
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Inserir e atualizar os dados em sistema digital (preferencialmente em tempo real).
3. Avaliação e Hierarquização dos Atrativos
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Analisar fatores turísticos: infraestrutura, acesso, transporte, serviços disponíveis.
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Atribuir valores e indicadores de competitividade com base em fotos, materiais e redes sociais.
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Identificar singularidades e potenciais de aproveitamento turístico.
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Estabelecer hierarquia de importância (municipal, regional e nacional).
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Usar a hierarquização para:
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Formatar roteiros turísticos.
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Identificar pontos fortes e fracos.
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Definir público-alvo.
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Apoiar ações de promoção turística.
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4. Análise da Demanda Turística
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Identificar demanda efetiva (visitantes atuais) e demanda potencial (quem pretende visitar).
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Levantar informações por meio de:
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Pesquisas online (sites de viagens, redes sociais).
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Formulários aplicados em campo.
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Responder às questões-chave:
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Quem são os turistas? (origem, faixa etária, perfil sociocultural).
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Por que viajam? (motivações pessoais, familiares, de negócios).
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O que buscam nas viagens? (experiências, descanso, aprendizado, economia).
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Quando viajam? (férias escolares, feriados, estações climáticas).
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Quanto estão dispostos a pagar? (análise de custo-benefício).
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5. Divulgação dos Resultados
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Elaborar mapas turísticos (visualização de atrativos, infraestrutura e equipamentos).
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Produzir publicações técnicas e promocionais (roteiros, pôsteres, folders, vídeos – impressos ou digitais).
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Criar publicações informativas (guias de hotéis, restaurantes, serviços – impressos ou digitais).
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Disponibilizar em aplicativos móveis.
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Redigir matérias para veículos de comunicação (locais, regionais e online).
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Preparar dossiês para postos de informações turísticas, CATs e sites institucionais.



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